“Carapinha para sempre”

Olá rainhas.

Vi esta comédia romântica há pouco tempo na  Netflix. Gostei e recomendo,  para uma  tarde bem passada com as amigas, mas em especial, para quem quer passar ou já passou por uma ou varias transições para cabelo natural. É um filme sobre aceitação e a valorização da beleza interior da mulher negra em busca da sua essência de mulher africana.
A história faz um bom trabalho ao retratar diversos aspectos durante esse processo, e ajuda a identifica-los e consequentemente a fazer questões a ti própria.

O tema do filme não é novidade. O factor raro e diferencial aqui é o facto da personagem ser afro-americana.

O filme é dividido em capítulos e cada título corresponde a uma fase na qual se encontra a protagonista, Violet.

O filme não é (nem poderia ser) perfeito, centra-se muito na divisão entre o cabelo postiço, liso e o cabelo natural africano. O discurso do filme é real e lidamos com ele diariamente nas redes sociais, na rua e muitas vezes, se não sempre, até dentro de casa. Pressão imposta pelas mães (maioritariamente) para ter um cabelo liso e “arrumado”. O filme utiliza o discurso de amor próprio e explora de maneira bastante criativa, esta divisão entre o que é considerado na sociedade como cabelo “perfeito e imperfeito”

Assim, a textura do cabelo que não é liso aparece no filme como uma imperfeição pouco aceite (mãe, namorado, colegas de trabalho e a sociedade) mas o argumento é incorrecto: os nossos cabelos encarapinhados e ondulados não são imperfeitos.

Para mim o ponto alto e um pouco irrealista do filme, é O CORTE da protagonista Violet.

A cena do CORTE levanta algumas criticas da minha parte, porque o corte é feito quando a protagonista está embriagada e revoltada. Ainda que tenha transparecido  para a história parte da insatisfação e inquietude da personagem em relação ao seu cabelo e à sua aparência, não é assim que gostaríamos de ver retratado esse ponto tão importante na trajectória de alguém que decidiu assumir o seu cabelo natural.

Não questiono a possibilidade de cenas assim acontecerem na vida real, mas acredito que estes movimentos impulsivos devam ser excepção. Decidir assumir o cabelo natural costuma e deveria  ser um movimento consciente, para que não hajam arrependimentos, como parece acontecer com a personagem (fartei-me de rir e chorar a rir…😂)

Quanto mais consciente for essa decisão do grande corte, mais fácil é a adaptação e aceitação dos cabelos curtos, principalmente para mulheres que passaram a vida toda com comprimentos médios, longos e cheios de volume.

Vários exemplos giram em torno dos cabelos da Violet. A filha “perfeita” que está sempre arranjada, a profissional bem sucedida que tem tudo “sob controlo”, a futura esposa troféu perfeita e ideal para o homem negro bem-sucedido, a imagem de mulher negra perfeita, etc… enfim muitos adjectivos e muito cansativo.

Tudo no filme refere-se a estereótipos supérfluos que o cabelo liso proporciona à Violet. Mais tarde será em parte questionado pela própria personagem e provavelmente , também quem vê o filme acaba por se questionar igualmente como se vê a si próprio e como o mundo a vê a partir da sua própria aparência.

A mulher de hoje dá muita importância e gasta muito tempo no cabelo e na sua imagem de tal forma que não é natural (é quase como um segundo trabalho). Com isto não quero dizer que não nos devemos arranjar e mimar, claro que não. Todas sofremos pressão das nossas sociedades para andarmos perfeitas 24/24 e isso é impossível. Tentar ser perfeita 24/24 é muito desgastante, passas a vida a correr, a pensar no que os outros pensam de ti, a pensar de mais, a fazer contas ao que gastas e estás sempre em pânico, quando na realidade deveria haver um equilíbrio. Perdes tempo com coisas fúteis e banais, quando podias estar a fazer ou a criar outras mais importantes e mais enriquecedoras.

Estar no nosso melhor, deveria ser para nós e não para os outros. Deve ser algo natural, bonito, intimo, pessoal e sem esforço.

Nunca vamos conseguir controlar o que os outros pensam ou dizem sobre nós. Quantas vezes acordei e decidi sair de casa sem maquilhagem e deixarem-me ver  exactamente como sou. Em vez de ficar incomodada, fico aliviada e sinto-me livre. Não vou falar do meu cabelo, porque ele é bem curtinho, por escolha minha. O meu cabelo curto é a minha individualidade é o que me separa do resto do mundo e adoro. Eu sei que sou mais que o meu cabelo, que a minha maquilhagem ou as roupas de marca (ou não) que eu visto. Eu, como vocês somos mais do que aquilo que o mundo vê. Acho que devemos ter a confiança de sermos nós próprias, de desligar um pouco do mundo da fantasia que são as redes sociais, das capas de revista dos videos clips musicais, da pressão de tentar impressionar o rapaz/homem que gostamos ou das raparigas com quem nos damos todos os dias.

A tua atitude sobre ti mesma fala muito sobre como as pessoas te vêem!
Liberta-te das correntes que te foram impostas.

Atreve-te a ser livre e aceita-te como és.

Se ainda não viram este filme, aconselho a ver. Tem mensagens bonitas e importantes.

O título em inglês é “Napply Ever After” ou em Português, “Felicidade Por Um Fio”. O titulo em inglês faz jus ao filme, que quer dizer simplesmente, “Carapinha para sempre”

O que acharam?

Cuidados dos pés no inverno.

Olá rainhas

 

Com o inverno instalado, a maioria das mulheres nesta altura do ano, não dá tanta importância à manutenção dos pés como habitualmente no tempo quente.

O cuidado dos pés durante o inverno é tão ou mais importante que no verão. A pele da mulher negra é mais susceptível a pele seca e extremamente seca, principalmente nas extremidades do corpo.

Mesmo com o frio, muitas mulheres africanas calçam sabrinas sem meias e nota-se a pele seca e esbranquiçada. Isso é falta de hidratação.

Para garantir que tens uns pés bonitos e cuidados  no verão, tens que cuidar deles o ano inteiro. Em baixo deixo-vos com sugestões da minha rotina diária.

  1. À noite depois do banho, limpa bem entre os dedos dos pés para estes ficarem sem humidade o que vai evitar fungos que provocam mau cheiro. Usa um creme especifico para os pés e calça umas meias. Assim vai ajudar os pés a ficarem hidratados durante a noite.
  2. No duche ou banho usa uma pedra pomes para ajudar a retirar a pele morta, que vai acumulando nas solas e nos calcanhares. Se não for tratada dá origem a calos e muitas vezes calos dolorosos.
  3. Faz exactamente o mesmo processo de manhã.
  4. Mantém as unhas cortadas bem rentinhas e sem verniz, para permitir à unha respirar. Pés arranjados não é sinónimo de pintados.

Em baixo ficam os dois cremes que eu uso alternadamente. O primeiro é para pés com alguma calosidade ou demasiados secos e o segundo para usar todos os dias. Ambos têm na sua composição UREIA CONCENTRADA a 50% que ajuda a manter a pele hidratada. É enriquecido com MANTEIGA DE KARITE pela sua acção hidratante e reparadora. Contém, ainda ÁCIDO SILÍCILICO, que possui uma acção esfoliante, removendo as peles escamadas e normaliza o espessamento da pele ou calosidades. Têm uma textura rica e cremosa mas são de rápida absorção.

  1. SVR Xerial 50 extreme creme de pés
  2. SVR Xerial 30 pés secos
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Estes foram um pouco caros. 16 euros um e 9 euros o outro.  Há creme para os pés para todos os bolsos, mas acredito que em alguns casos, vale a pena o dinheiro que se gasta. Vê como um investimento, merecido para ti. Dos inúmeros cremes que experimentei ao longo dos anos, estes deixaram a pele dos meus pés maravilhosa. Os meus pés estão lisos, macios, hidratados e sem calos.

Se no teu caso tens calos, então o meu concelho é ires arranjar os pés numa pedicure qualificada, limpar e tirar tudo o que forem peles indesejadas para depois iniciares esta rotina tu mesmo. Assim não irás precisar de fazer pedicures constantemente. Se como eu não tens calos é sempre bom precaver.

No verão passado, eu escrevi um post sobre os cuidados a ter com os pés, intitulado “Pés ao léu”.  Aconselho a relerem esse post para esclarecerem duvidas.

Beijinhos❤

Porquê que as mulheres africanas usam tissagem se não cuidam dela?

 

Olá rainhas.

Antes de mais peço desculpa pela frontalidade do post, mas não peço desculpa por dizer a verdade.

Cabelo na comunidade negra é um tópico complicado e volátil. Historicamente, cabelos lisos e encaracolados ou ondulados são vistos como mais socialmente aceitáveis em relação ao cabelo crespo, isto porque é visto como mais próximo do cabelos dos brancos. A verdade tem as suas raízes na escravatura. Durante a escravatura, pessoas negras de pele mais clara e cabelo encaracolado eram mais propensas a serem escravas domésticas, enquanto pessoas negras de pele mais escura e cabelo crespo (carapinha) faziam os trabalhos mais pesados nos campos. Na África estilos excêntricos de cabelo entre as tribos eram uma fonte de orgulho mas os senhores de escravos faziam-os sentir envergonhados com a aparência deles, e nem se referiam ao cabelo deles como cabelo e sim como lã. Esta era uma maneira de fazerem sentir os escravos como seres inferiores.

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No entanto, a resposta a esta pergunta não é tão simples como “por causa do padrão europeu de beleza”. Quero dizer, sim, parte da razão pela qual as mulheres negras usam tissagem (nota que eu não disse “cabelo falso” – se tu comprares, é teu) é porque cabelo preto natural é visto como inadequado, desarrumado, selvagem, indisciplinado e socialmente inaceitável. Mas acho que é apenas parte da história. Embora tissagens, postiços, etc, sejam convenientes,  porque é que as mulheres negras querem os seus cabelos mais longos e lisos?

Em parte porque a nossa sociedade diz que o cabelo comprido e liso é lindo. Somos constantemente bombardeadas com publicidade e vídeos musicais com mulheres negras a favorecerem mais os postiços em vez de valorizar o próprio cabelo.  … mas também em parte porque elas cresceram a admirar e a desejar quando o que deveriam ter aprendido com os pais era amar e aceitar o cabelo que tem.  E eu continuo a não conseguir perceber este fascínio.

No entanto  não acho que as mulheres negras  querem “parecer brancas”, mesmo as mulheres negras que usam permanentes. As mulheres negras fazem essas coisas porque, como disse uma amiga minha, o nosso cabelo consome muito tempo. Eu discordo com as suas estimativas de tempo. Tempo é relativo. A quantidade de tempo gasto com cabelo natural pode variar de acordo com a pessoa, o tipo de cabelo e o estilo de cabelo. Tranças são simplesmente convenientes, assim como desfrisar o cabelo.

Nós todas temos um tipo de cabelo que desafia a gravidade. Para mim é uma maneira bonita de dizer que a natureza nos fez a todas rainhas porque todas temos uma coroa😉

Eu nunca fui muito a favor de usar postiços mas no entanto houve uma fase nos meus vinte e poucos anos em que usei tranças postiças. Na verdade eu desgosto de postiços, tissagem, perucas o que quiserem chamar. Mas o que realmente me deixa indignada é as mulheres africanas deixarem a mesma tissagem durante 2, 3 e 4 meses seguidos,(e ás vezes mais tempo) e muitas delas só lavarem o cabelo 1 vez por mês e nem se lembram que têm um cabelo por de trás da tissagem que necessita de atenção! A sério não façam isso, é doloroso ver isso todos os dias, não há uma que acerta. Nada!

O que me revolta nesta situação toda é que a maioria não quer cuidar por ser chato e inconveniente de o fazer, (o cabelo natural) mas estão dispostas a gastar dinheiro para por cabelo postiço que não cuidam ou não sabem cuidar. Basta sair de casa para olhar com descrença as cabeças. Não é bonito e as pessoas comentam isso, eu comento isso. Nota-se.

 

Se vais usar tissagem tens que a cuidar. Ponto final. Se não consegues dar a atenção ou gastar o dinheiro que é preciso gastar então fica pelo o teu cabelo natural e aprende a cuidar do teu. A Internet está cheia de informação de como cuidar do cabelo. Do nosso cabelo.

 

Um cabelo mal tratado dá sempre origem a comentários negativos desnecessários, já somos criticadas e mal vistas por tanta coisa. Porquê então permitir que o continuem a fazer.  Fico ‘revoltada’ com a aplicação de algumas tissagens que vejo e a maneira como são tratadas. Não sou nenhuma expert na matéria mas conheço alguns métodos de aplicação de tissagem: cola, costura (sew-in), elástico (fio-a-fio) e ganchos (clip-in). Penso que o método mais comum de aplicação aqui em Portugal em mulheres africanas é por costura. Pelo menos é os que eu mais vejo em pessoas conhecidas. Para mim por postiços  é como estar na prisão. Tu estás enjaulada. O teu cabelo governa-te.

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É muito triste escrever isto mas é raríssimo ver uma cabeleira africana com tissagem cuidada. Nem todas podem manter viagens para o salão e largar 200€ e 300€ cada 4 a 5 semanas, mas o problema é que muitas primas vão por na mesma essas tissagens de  fantasia sabendo muito bem elas que não podem substituí-los dentro do período de tempo que é necessário. O resultado? A infeliz prima sentada à tua frente no metro ou autocarro com a cabeça cheia de cabelo emaranhado que mais parece um ninho seco e um leve cheiro de mofo. Ande está o vosso brio?

É verdade que cuidar de cabelo natural requer tempo e muita paciência mas no final vale muito mais a pena e é muito mais motivo de orgulho. O cabelo das mulheres africanas varia muito, vai do mais crespo (mais conhecido como carapinha) aos canudos largos, cacheados e soltos. Todos tem o seu método para cuidar. Aceita-o e cuida do teu cabelo. O nosso cabelo é a nossa coroa. Se está com um bad hair day, eis a tua oportunidade de usar panos africanos na cabeça.

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Educação é necessária no cuidado do cabelo africano. Há uma percepção de que o cabelo natural é cabelo desleixado. Um pouco de educação precisa ser feito aqui. Eu sei que o cabelo natural pode parecer arrumado também. Basta quereres.

 Regras de ouro antes de colocares tissagem

Segue à risca as regras de ouro antes de colocares tissagens.

1. Considera o teu estilo de vida. Se trabalhas numa cozinha onde suas o dia todo e possivelmente usas uma touca, se recebes um ordenado baixo já sabes de antemão que não vais poder manter um bom aspecto o teu novo cabelo. É preferível não usares. As mulheres que entram nos videoclips têm dinheiro para manter esse estilo de vida. Tu tens?

2. Compra a correspondência de cores correta. Estar fora da cor, até mesmo por uma sombra, é logo um indicador de que estás usar cabelo postiço. A maneira mais precisa é combinar a cor com as pontas dos teus cabelos, não as raízes, e usar a cor que é mais predominante no teu cabelo natural.

3. Ostenta a qualidadeExtensões sintéticas são as mais acessíveis, sim, mas enrolam-se facilmente e são muito brilhantes, o que faz com que pareçam naturalmente anti-naturais. O cabelo não-virgem significa que foi processado – ou tingido ou tratado para mudar sua textura e também não é o ideal, já que está mais danificado. Procura extensões de qualidade que sejam o mais próximos do teu cabelo verdadeiro, dentro da mesma textura, o que não vais encontrar com as opções mais baratas. O objectivo é que não pareça estares a usar cabelo postiço. Não é verdade? Quando sais à rua, ninguém deveria ser capaz de dizer que estás a usar tissagem.

4. Faz o trabalho de manutenção. Assim como o teu cabelo natural, as tissagens ou extensões,  precisam de uma lavagem regular e de constante retoque ou tratamento.

5. Saber quando é altura de as tirar. Quando as pessoas dizem que as extensões danificam o cabelo, isso é porque  realmente o danifica, especialmente se não for feito por um profissional ou porque elas não foram removidas profissionalmente.  Tens que as manter dentro dos prazos.  Não podes usar extensões que foram feitas para seis semanas e usá-las por três meses a fio sem retocar. Outra maneira de evitar danos no couro cabeludo e fragilizar o cabelo é ter certeza de que elas não são muito pesadas porque podem levar à quebra do teu cabelo e à Alopeceia por tracção .

Tens que ter cuidado com isso, porque se o postiço pesar demais no teu cabelo, eventualmente o teu cabelo vai cair. Tissagem nunca deve cair, e não devem causar dor também. Não deves sentir que tens na cabeça mas se o sentires, volta para o salão para ter certeza de que eles estão no lugar certo. 

Se vais optar por experimentar uma tissagem ou queres continuar a usar, então certifica-te de que estás preparada para lidar com os custos e a manutenção associados . Só uses tissagem se conseguires dizer a ti própria “Eu sinto-me confiante com ou sem tissagem!”. Não uses tissagem porque tens vergonha do teu cabelo ou não te apetece lidar com o teu cabelo. As mulheres não se devem sentir feias quando estão sem tissagem, isso não deve acontecer! Se acontecer é porque não estás a tratar devidamente do teu cabelo! 

É importante que permaneças com a tissagem no máximo 1 mês. Extensões, postiços, tissagem de cabelo, podem ser super fabulosas… mas tens que fazer a tua parte! Se não o fizeres, as ruas vão notar, querida. As ruas vão notar😒

NOTA: Tissagem  feita pela amiga da zona não quer dizer que seja profissional, mesmo que ela já tenha feito 1000 vezes. Nós todas temos a tendência de ser demasiado tolerantes  e confiarmos demais  nosso cabelo às pessoas que conhecemos. Amigos amigos, negócios à parte. Independentemente da tua escolha, cuida melhor do cabelo, que como as mãos, também é um cartão de visita.

Beijinhos rainhas❤

.

 

 

 

Pedido de inclusão – Carta aberta à revista Máxima.

Cara revista Máxima,

Sou uma fã incondicional, como tantas outras, da vossa revista…

Por essa razão escrevo-vos esta carta aberta pois estou muito indignada e tenho a certeza que não sou a única.

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No manifesto escrito por Manuel Dias Coelho, na edição de Setembro de 2017, ele escreveu que nós (as leitoras) “somos uma participação no pulsar desta revista”. Se assim o somos então algumas fiéis leitoras estão certamente excluídas.

No seu regresso a casa viu certamente mudanças na cultura Portuguesa. Mudanças estas que têm crescido juntamente com o desenvolvimento da vossa revista.

Essas mudanças devem-se a diversidade cultural em Portugal, nomeadamente à cultura Africana em Portugal, principalmente em Lisboa.

Também nesse manifesto dizia-se “A Máxima conseguiu feitos memoráveis no panorama das revistas femininas nacionais…” Sim foi a primeira revista a publicar na capa uma modelo não caucasiana, no entanto falta (deliberadamente ou não) a vertente da multiculturalidade na revista. Nomeadamente, a Africana.

A minha pergunta é: como é possível ainda não haver uma revista ou um suplemento semanal, dedicado à mulher negra de Portugal?

Não há uma única revista portuguesa para adolescentes e mulheres africanas. Também elas são portuguesas, também elas compram revistas.

No manifesto também se fala da dificuldade que se tinha no passado em obter uma revista estrangeira e o quanto era caro. Pois ainda são! Eu como tantas outras, somos obrigadas a comprar revistas estrangeiras. Faltam referências em Portugal, direccionadas para mulher negra, nomeadamente no que toca às ultimas novidades de produtos para o corpo e rosto (necessidades diferentes), de maquilhagem, de perfumes (os perfumes na pele negra cheiram diferentes), de cabelo (temos vários tipos) e de tendências (os gostos são diferentes).  Somos obrigadas a comprar revistas estrangeiras mas o que queríamos era comprar revistas Portuguesas. Sei que a pesquisa requer tempo e dedicação. Mas não merecemos tal dedicação e empenho?

Uma revista como a Máxima que tem uma posição marcada à frente da concorrência, que se diz visionária e que “conseguiu feitos memoráveis no panorama das revistas femininas nacionais” deveria explorar e abordar mais esta cultura da qual partilhamos mais de 500 anos de história comum.

Tal como muitas leitoras africanas, gastamos o nosso dinheiro (algumas apenas quando podem) nas vossas revistas semanalmente/mensalmente, apenas para auferir de uma pequena parte da informação que tenha alguma relevância para nós. Na minha opinião o vosso departamento criativo e de pesquisa estão a falhar redondamente.

Não era tempo de investir em nós? Procurar escutar as necessidades da mulher negra, pesquisar, experimentar, comparar,escrever sobre o resultado, aconselhar, e publicar.

Público não vai faltar de certeza.

Em nome das Rainhas Africanas de Portugal.

Com os melhores cumprimentos

Marlene Castela

Sou mais além da minha cor

 

Olá Rainhas !

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Gosto de pensar que para o mundo, a definição de mulher Africana, seja mais do que a sua cor. Da minha herança africana, recebi os meu cabelos , as linhas do meu corpo, os meus lábios carnudos, a cor dos meus olhos e a tonalidade da minha pele. Aprendi valores com gerações antigas, humildade e a partilha. Da minha herança africana aprendi a dar voz à minha luta e dar vida ás línguas antigas. Da minha herança africana, aprendi a ser forte, independente e destemida.

A cor da minha pele é mais do o que um reflexo meu no espelho.  A minha pele é a metáfora que define como sou vista e como me vejo a mim própria.

Vivo numa sociedade que ainda me reduz a um ideal da mulher negra, socialmente aceite, em que o negro é bonito, mas mais claro é mais bonito e mais “gostável”.

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As pedras mais bonitas são as de cores escuras. Onix, Opal e Obsidiana. A sua beleza é incomparável.

Eu, sou mais do que os estereótipos criados por aqueles que não compreendem a minha cultura ou não fazem parte dela e que com isso falham em nos compreender.

Escreve-se mais sobre África e africanos que qualquer outra raça no mundo. No entanto somos os menos compreendidos. Os Europeus não somente colonizaram África e maior parte do mundo, como  também colonorizaram a informação sobre os africanos.

A cor da minha pele tem historia, mas cada tonalidade tem a sua historia.  A cor da minha pele pode ser a minha vulnerabilidade mas também é a minha defesa e a minha celebração.

 

Sou muito mais para além da minha cor.

Somos mais para além da nossa cor.

 

Beijos rainhas!

Cuidados básicos para uma boa Maquilhagem!

Olá rainhas! 🙂

 

Desde o primeiro post sobre “Os cuidados do rosto” mudei duas vezes de cremes mas ainda mantenho alguns. Aqui vou focar-me mais na minha rotina diária e pré maquilhagem, para te ajudar a criar a tua própria rotina ou apenas melhorá-la.

A base constante de uma boa maquilhagem é sempre uma pele bem cuidada.

Os produtos que eu menciono no blogue, são específicos para a minha pele (40 anos, pele normal a mista e mais seca no inverno) Eu defendo que cada pessoa deve conhecer bem a sua pele, para saber que produtos são os mais indicados para si. Isto porque “uma pele oleosa (como a maioria das peles negras) pode parecer seca quando, na verdade, está desidratada”, sendo, por isso, importante procurar produtos específicos. Isto significa que, à medida que os anos passam, as características da tua pele mudam, ainda que o processo é mais lento em peles negras 😉 Se quando somos adolescentes sofremos com os espinhos e borbulhas por causa da oleosidade, depois dos 35 anos é a firmeza e aos 50 anos a pele começa a tornar-se mais seca (extremamente seca em peles brancas). A minha melanina tem me protegido incansavelmente 😉 mas mesmo assim, a minha pele mudou um pouco. A bonita idade dos 40 anos 😉

Segue estes cuidados básicos e nada complicados,  para garantires uma pele saudável, radiante e claro, uma maquilhagem perfeita.

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  1. Lavo sempre muito bem o rosto de manhã com água morna (muito quente, resseca a pele). Isto é muito  importante, porque ajuda a limpar as impurezas e assegura que a minha pele está nas melhores condições para absorver e beneficiar dos produtos que serão aplicados de seguida. Eu vou alternado entre estes dois, GEL DE LIMPEZA FACIAL HIDRATANTE  e o GEL DE LIMPEZA FACIAL REFRESCANTE da marca Simple que são maravilhosos para peles mais sensíveis. São uma gama de produtos sem perfume artificial ou corantes e 100% livres de sabão. É uma das marcas favoritas de Inglaterra entre as mulheres de pele negra, incluindo eu.
  2. Por outro lado, se não sinto a necessidade de uma limpeza profunda, porque não usei maquilhagem nesse dia ou fiquei em casa, limpo o rosto apenas com a água micelar da  AVENE CLEANANCE em discos de algodão e a seguir aplico um tónico para ajudar a fechar os poros. Atenção à escolha do tónico para este não te secar a pele. Eu uso água de rosas que é uma boa opção para quem tem pele um pouco sensivél, faz maravilhas na nossa pele e também a mais economia. Podes comprar nas drogarias ou nos supermercados.
  3. Serum é a melhor forma de potenciar o efeito dos cremes de dia e de noite. A sua utilização é especialmente importante para quem apresente manchas, despigmentação, desidratação, rugas, marcas, poros dilatados ou falta de luminosidade (como eu). No entanto pode ser usado por qualquer pessoa como forma de prevenção. Estou encantada com este CLARINS DOUBLE-SERUM anti-envelhecimento completo. Diz ser indicado para todas as faixas etárias.  A minha pele do rosto, está visivelmente mais luminosa e com manchas mais atenuadas. Os seruns contêm uma concentração elevada de ingredientes activos que penetram na pele mais profundamente e assim obtendo os melhores resultados. Eu aplico-o todos os dias, antes dos cremes de dia e de noite. Sem falha!
  4. Termino a minha rotina matinal com o creme de dia EUCERIN HYALURON FILLER (creme com Ácido Hialuronico que ajuda a combater a formação de rídulas e rugas mais profundas).
  5. Aplico o creme de contorno de olhos, vitamina E da BODY SHOP para hidratar.
  6. Por fim a aplicação do Primer, antes de aplicar a maquilhagem.  Os primers ajudam a alisar e aperfeiçoar a tua pele, minimiza os poros e afina o grão da tua pele.
  7. Agora sim, podes maquilhar-te.

 

Por ordem de importância fica em baixo os produtos básicos da minha rotina diária.

 

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Na fotografia está o desmaquilhante para os olhos para acrescentar à rotina da noite. É muito delicado, suave, base de água e óleo, perfeito para a zona sensível dos olhos. Este desmaquilhante remove até o rímel à prova de água e dissolve a maquilhagem praticamente de uma só vez. 🙂

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A água termal da Avéne ajuda-me a acalmar a pele quando exposta ao sol mas também quando faço alguma esfoliação

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Primers da Loréal e da Benefit

 

 

Beijinhos Rainhas!

 

Maquilhagem acertada.

Olá Rainhas!

Depois dos cuidados básicos e diários (vou escrever sobre isto noutro post), a tua pele está pronta para receber a maquilhagem.

Deves a ter em consideração o teu à vontade e experiência com a maquilhagem em geral e depois deves fazer a  escolha dos produtos correctos para o teu tom de pele, nomeadamente a base que é sempre a mais complicada.

Não há regras absolutas de como deves usar maquilhagem. No entanto tens que ter alguma atenção no que estás a fazer. Para uma boa make up é preciso tempo, organização e deve ser feita de preferência com a luz natural do Sol. Fazer a tua maquilhagem com a luz branca ou amarela da casa de banho é um erro muito grande a não ser que vás por apenas o rímel.

Muitos dos tutoriais online são feitas por pessoas muito experientes neste campo. É normal que quando fores aplicar a ti própria talvez o resultado não é o que inicialmente esperavas. Mas não desistas porque podes aprender muito com estes vídeos tutorias. Visitem este link 70+ profissionais de maquilhagem  é de uma blogger Afro-americana “ The style and beauty doctor”  que eu encontrei por mero acaso. Ela faz uma lista de cerca de 70 artistas e profissionais de maquilhagem para pele negra. É um achado para quem precisa de aprender ou melhorar. O melhor que podes fazer é experimentar, enganares e e voltares a repetir e não tenhas medo de experimentar.  Ficas uma profissional num piscar de olhos 😉 Foi assim que eu comecei. 🙂

Alguns erros que infelizmente ainda se vêem muito. A maquilhagem é para realçar a tua beleza e não o oposto.

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Se és das muitas mulheres negras que gosta de manter o mais natural possível, ficam aqui algumas sugestões:

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Eu geralmente foco-me mais nos meus olhos e sou mais ousada à noite.

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Lembra-te que, a maquilhagem é para realçar a tua beleza e ajudar a esconder aquelas imperfeições que não gostamos, como vês em baixo. Não exageres 😉

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Não precisas de muito para ficares linda, radiante e perfeita. Tens todo o direito de demorares horas para fazer uma make up perfeita. A perfeição demora tempo 😉

Beijinhos belezas africanas:-)