Descansar o cabelo no Verão!

O cabelo é sem dúvida o ponto fraco da mulher africana. Umas mais que outras.

Olá rainhas!

Vamos conversar sobre cabelos novamente?😉

Desculpem pela minha frontalidade, mas aqui neste blogue que também é o vosso, neste nosso cantinho irei ser sempre directa e sem rodeios. Admito ser uma mulher de opiniões fortes mas sempre respeitadora de opiniões e decisões dos outros. No final, cada um sabe de si.

Não condeno quem opte por ter cabelo sintético em vez de natural, mas não concordo porque a grande maioria de cabelos sintéticos que anda pelas ruas, não têm nada bom aspecto, principalmente nesta altura de grande calor.

Fico feliz e orgulhosa de ver outra mulher negra de cabelo natural. Não há nada mais bonito e isso revela-me algo sobre elas. É verdadeiramente libertador aceitar todo o nosso eu.

Para mim ter cabelos sintéticos é ser uma escrava na actualidade, escrava da sociedade, escrava da insegurança, escrava da aceitação e escrava do medo.

O cabelo é sem dúvida o ponto fraco da mulher africana. Umas mais que outras.

Gritamos de peito cheio para o mundo o quanto somos orgulhosas das nossas raízes africanas, no entanto não consigo perceber porque que é que tal orgulho não se estende até à nossa “juba desarrumada”. O nosso cabelo tal como a nossa cor fazem parte do todo, do que nos faz únicos e o que nos destaca dos outros.

Chegou o calor com força e este é o melhor momento para descansar  e deixar respirar o vosso cabelo. É imprescindível  fazê-lo.

Aproveita esta altura para descansares os teus cabelos naturais, deixar absorver a luz natural do sol, deixar respirar e durante este processo estás a dar oportunidade ao teu cabelo de fortalecer, ganhar brilho e de ganhar vida e de crescer.

Depois de tirares os cabelos sintéticos, deves fazer um tratamento profundo num cabeleireiro certificado ou aventura-te e faz no conforto da tua casa, como eu. Acredito que com tanta informação que anda por aí, não precisamos de um “profissional de cabeleireiro” (muitas vezes amigos e familiares) para nos dizer como tratar do nosso cabelo. Quando és tu a tratar do teu cabelo, dás muito mais valor e proteges muito mais o que tens.

No entanto se és aquela que não dispensa usar tissagem no verão deves redobrar os cuidados. Os meses quentes e húmidos do verão podem dificultar o cuidado dos cabelos sintéticos.

Com o calor do verão em “chamas” é mais difícil do que o habitual manter um cabelo sintético com um ar fresco e de aspecto natural. Não há nada pior do que um “ninho” suado, de mau aspecto, com cheiros desagradáveis, que coça e coça no alto da tua cabeça quando estás a tentar aproveitar o clima quente do verão.

Aposta num visual diferente e natural, arrisca a ficares ainda mais maravilhosa e no processo o teu cabelo descansa, tu descansas e aprendes a conhecer e a aceitar o teu cabelo. Quem sabe vais gostar do que vês. 😊

Num próximo post sobre o cabelo, vou partilhar convosco as minhas escolhas de cremes que estou a usar para manter o meu cabelo natural saudável.

Descansem o cabelo.😊

Beijinhos Rainhas.

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O Cabelo não define uma mulher

A coroa não é suposta mexer na cabeça das rainhas.

Despir a minha cabeça do seu natural marcador de género e gerador de inseguranças, foi a minha forma de expressão mais sincera que dei a mim própria e ao mundo.

Olá minhas rainhas

Quando era pequena achava engraçado que não precisava de preocupar-me com cabelo fora do sítio. Adorava que ele conseguia desafiar a própria gravidade. A minha querida mãe dizia, que as coroas não eram supostas mexer nas cabeças de rainhas. A minha “juba” era a minha coroa.

Com criatividade e imaginação fértil que dava para dar e vender, via apenas possibilidades “infinitas” de criar penteados maravilhosos que eram verdadeiras obras de arte. Infelizmente comentários desnecessários sobre a minha “juba” marcaram ocasionalmente presença indesejada. Comentários carregados com falsas ideologias de fazer detestar o próprio cabelo.

“Coitado” do meu cabelo que o seu único “crime” era ser diferente. Assim com o passar do tempo, apercebi-me que se dá demasiada atenção ao cabelo em geral. Não estou a dizer que devemos desleixar com o cabelo, apenas que devíamos stressar menos com o que o mundo pensa do nosso cabelo e sim com o que nos faz feliz. Sem pressões alheias.

Sim o meu “cotão” era rebelde, tocava na cara das pessoas sempre que as cumprimentava, tinha caracóis de tamanhos, cores e espessuras diferentes, era “desarrumado” com bons e muitos maus dias. O tema de conversa era quase sempre sobre o cabelo ou começava com alguma coisa sobre o dito cabelo. Não gostava quando o tocavam por receio de algum fio pudesse sair do lugar. Era cansativo todo o trabalho e enervante toda a preocupação que dava.  Das cinco razões que me levaram à grande decisão de o cortar, a praticabilidade foi uma delas.

A nossa relação com o cabelo tem um papel activo na nossa relação com o amor próprio. É verdade que o cabelo da mulher africana é mais desafiante de se manter tratado mas é possível.

É importante deixar de parte a relação tóxica que todas temos em algum momento das nossas vidas, com o cabelo e começarmos sim a termos um relacionamento mais saudável com a herança dos nossos antepassados. Alegra-me ver africanas com cabeleira natural, curta ou complemente rapada, como em muitas tribos africanas. Uma bonita e clara mensagem.

Ter cabelo rapado não me define como mulher nem me torna menos feminina. Cortá-lo e por vezes rapá-lo foi uma decisão de coragem, estética e política.

Cortar o meu cabelo foi uma forma de mostrar a minha liberdade de expressão, fez parte do meu auto-conhecimento e foi assim com tranquilidade e a aceitação do diferente que encontrei parte do meu estilo pessoal.

Despir a minha cabeça do seu natural marcador de género e gerador de inseguranças, foi a minha forma de expressão mais sincera que dei a mim própria e ao mundo.

Sei que não preciso de fios de lã lisos e esvoaçantes para mostrar a minha feminilidade, para ser sexy, bonita ou ter estilo. Eu me sinto sexy sem os meus outra ora, lindos cabelos encaracolados ou qualquer tipo de cabelo sintético na minha cabeça.

O meu cabelo (neste caso a falta dele) não me define como mulher. Eu decidi na minha própria imagem e não homens, outras opiniões, a sociedade, o aceitável ou o politicamente correto. Decidi que não queria cabelos a atrapalharem o meu rosto.

A verdade é que nunca fui muito apegada ao cabelo.

Com ou sem coroa, continuo a ser uma rainha africana.

Beijinhos Rainhas

Beleza incomparável do cabelo crespo de meninas negras ganha retratos de época — VIVIMETALIUN

Ser negra e ser mulher é um desafio duplo. Além de raramente se verem retratadas na mídia (ou talvez justamente por causa disso), estas mulheres acabam enfrentando com frequência problemas de autoestima – no Blogueiras Negras tem um texto maravilhoso da Luara Vieira sobre o assunto. Para bater de frente com essa realidade e empoderar […]

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